quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quero saber bem mais que meus 40 e poucos anos...


... Estamos vivendo num momento de mudanças e essas mudanças estão nos atingindo como uma avalanche! Seja pela falta de ânimo e falta de esperanças em um novo verão, seja pela falta de um corpo ativo e saudável, seja pela falta de pensamentos mais livres... o fato é que estamos mudando de uma forma completamente desorganizada a angustiante! Nossa idade está trazendo com ela o peso de tudo que já vivemos e não vivemos ainda. Tudo que já esperamos e não aconteceu, todos os sonhos que tivemos e nós mesmos destruímos ou o tempo destruiu. Tudo que ainda não aconteceu e que não vai acontecer como nós sempre imaginamos que iria... Mas e aí? E agora?!

Não é fácil olharmos pra trás e constatarmos que metade já foi e que não sabemos o que fazer com a outra metade que está diante de nós. A televisão, os jornais, os filmes, não nos preparam para lidarmos com a metade que está por vir, com a 2ª metade. Hoje nós saberíamos o que fazer com a 1ª metade, somos bombardeados com propagandas ultramodernas de novos carros, roupas da moda, cremes para ficarmos mais bonitos, aparelhos com a tecnologia mais avançada, tá tudo aí disponível. Tudo para todos os que estão na 1ª metade. Para os novos, os vivos, os que importam... Mas o que fazer com o povo da 2ª metade? Como vamos viver bem se estamos mais enrugados, barrigudinhos, gordinhos, com dores no corpo e enfrentando cada vez mais noites mal dormidas e o medo, que está tomando conta de nossos pensamentos e atitudes? A gente compra todas as coisas que nos mostram as propagandas, mas não tem graça, porque nós pertencemos ao outro grupo... ao grupo da 2ª metade... e essa metade não importa!

Sim, você que é bem mais velho, da terceira idade, e está lendo isso, com certeza vai dizer: “Imagine, vocês têm a vida toda pela frente”... Provavelmente vocês têm razão (vocês sempre têm razão), mas para nós que estamos aqui, na 2ª metade, no meio, sem poder ir para trás e sem saber como ir para frente, não é claro e fácil assim! Na época de vocês tudo já estava devidamente preparado para esse momento: vocês já estavam casados, já tinham seus filhos praticamente criados, já estavam estabilizados em suas profissões (mesmo que fosse algum cargo publico e rotineiro), enfim, tudo estava “na mais perfeita ordem”... Vocês só tinham que continuar poupando suas previdências e com mais uns 6 a 10 anos de trabalho, filhos já casados, iriam começar a “aproveitar” os frutos desse trabalho: viajar, conhecer o interior e (quem sabe) o Brasil todo. Mas com a gente é diferente... Nós não somos da atual geração, a tal geração X ou Y e nem da geração de vocês! Somos do meio! Somos da geração que fica entre vocês e os gênios que já nascem falando outra língua e mexendo em smartphones e laptops como se fosse um chocalho. Só que nós ainda estamos aqui vivos e no meio, no meio do caminho. No meio de um ambiente de trabalho que está cheio de geniozinhos que falam (pelo menos) 4 línguas e tiram sarro quando você se atreve a balbuciar seu inglês macarrônico, no meio de chefes modernos que têm metade da sua idade e que prezam pela “qualidade de vida” trabalhando 12 horas/dia, no meio de colegas de trabalho que vivem a comentar as várias viagens que fizeram ao mundo, no meio de meninos e meninas de 20 anos que já sabem o que querem (desde os 12!) e que te olham como se você fosse um ET quando você comenta que o filme Star Wars (ou Uma Linda Mulher) é seu filme predileto. Não sei o que é pior: estar nesse meio ou estar na idade do meio... Sim, porque não é nada demais ter 40 e poucos anos, somos até bonitinhos e “jovens” ainda, mas não se situar, não se sentir pertencente a lugar nenhum é que é o problema! Não saber o que fazer com os próximos 40 anos, é o que nos deixa realmente angustiados... e tristes, e impotentes...  e enfim,  sem vontade de sonhar.

Todas as noites, antes de dormir, eu falo com Deus (e até isso anda me parecendo pré- histórico ultimamente) e peço a Ele que, por favor, me mostre o que fazer com a 2ª metade, porque estou literalmente perdida. Perdida aos 40 e poucos, sem saber se corro, ando, malho, faço dieta, estudo, leio, ou... desisto! E acho que não estou obtendo resposta alguma, porque até Deus está confuso e perdido. Deus deve pensar: “O que está acontecendo? Quando foi que o carro do ano se tornou mais importante que o amor dos pais? Que preservar uma árvore se tornou mais importante que alimentar uma criança? Que a fama se tornou sinônimo de caráter? Que 40 anos de idade se tornou ser tão novo... e ser tão velho?”.

E eu continuo a me questionar: onde estará o meu pedaço? A minha metade? Cadê minha vida tranquila com meu marido e meus filhos quase criados? Cadê minha aposentadoria breve e minha viagem para conhecer Gramado no Rio Grande do Sul? Cadê o momento em que poderei relaxar e deixar a barriguinha crescer sem culpa, porque já me preocupei demais com isso e já fui linda? Cadê? No passado não está. E no futuro... bem, no futuro não sei...

Eu tenho apenas uma certeza dentro de mim e é nela que estou me agarrando (literalmente) para continuar aqui e tentar achar alguma resposta: eu amo minha família! E sou grata a Deus por ter me dado o privilégio de estar ao lado deles durante essa 1ª metade. Mesmo após tantas decepções, tanta inversão de valores, tantos princípios esquecidos, eu agradeço a Deus por cada um deles em minha vida: minha mãe, meu irmão e minha sobrinha. Eles têm feito minha vida valer à pena e têm me dado força para tentar ser feliz, mesmo dentro desse tornado, chamado nova Era.

2 comentários:

  1. As minhas perguntas são as mesmas que as suas. Onde está a vida que pensei que teria quando fosse adulta? Onde está o "viveram felizes para sempre", minha "melhor idade" tranquila, meu sucesso profissional e financeiro? A vida passa tão rápido, tudo muda tanto e parece que não temos tempo de realizar o que mais desejamos. Muitas vezes, família é que me mantém acordando dia após dia. E também a certeza de que eu não estou sozinha. Bem-vinda ao meu clube, Dri! ;)

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  2. MInha querida amiga San, o sentimento de que nada disso nos pertence e de que não pertencemos a lugar algum, é que me desanima... Quem sabe possamos nos unir para tentarmos nos sentir aconchegadas em nossa solidão?! Amo você! Obrigada por estar sempre por perto...

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